quinta-feira, 2 de abril de 2026

Por que os partidos estão se lascando na montagem de nominatas

 


As eleições de 2026 já começaram nos bastidores. E o que se vê, longe do discurso público e das fotos de filiação, é uma dificuldade cada vez maior dos partidos para montar nominatas realmente competitivas. O problema não é apenas falta de nome forte. Em muitos casos, o erro está justamente na base da montagem política.


O erro de muitos partidos: esquecer a base da nominata

Na eleição proporcional, não basta ter um ou dois puxadores de voto. Isso ajuda, claro, mas não resolve tudo. Uma nominata forte depende também da chamada “cauda”, ou seja, daqueles candidatos que não estão entre os mais votados, mas que ajudam a somar os votos necessários para o partido alcançar o quociente e disputar as cadeiras com força.


É justamente aí que muitos partidos estão se enrolando. Têm cabeça de nominata, mas não têm base suficiente. E sem base, a conta simplesmente não fecha.


Política é time, não é aventura individual

Muita gente ainda insiste em olhar a eleição como se ela fosse uma disputa puramente individual. Não é. No sistema proporcional, o desempenho coletivo da nominata é decisivo. Um candidato com 500, 1 mil, 2 mil ou 4 mil votos pode fazer enorme diferença no resultado final do partido. Em vários casos, é esse conjunto que garante ou tira um mandato.


O problema é que muitos eleitos passaram quatro anos sem cuidar desse time. Viraram as costas para quem ajudou no processo anterior, não abriram espaço político, não valorizaram suplentes, não integraram lideranças e nem criaram ambiente para manter o grupo unido.



A conta chegou para os partidos grandes

Agora, na hora de remontar as nominatas, a dificuldade apareceu. Partidos grandes, que teoricamente teriam mais estrutura, mais espaço e mais condições de atrair candidatos, estão enfrentando resistência justamente porque deixaram muita gente pelo caminho.


Quem teve boa votação na eleição passada e se sentiu abandonado já não quer mais entrar apenas para servir de escada. Outros até aceitam conversar, mas cobram muito mais recurso, mais espaço e mais compromisso político. O custo aumentou porque a confiança diminuiu.


Quando faltam poucos votos, falta tudo

A política já mostrou várias vezes que não basta um candidato ter boa votação individual se a nominata não acompanha. Houve casos em que nomes competitivos ficaram de fora por diferença pequena, justamente porque o partido não teve base suficiente para sustentar o conjunto.


Em contrapartida, partidos que conseguiram equilibrar puxadores de voto com uma cauda minimamente organizada tiveram desempenho melhor e conquistaram mais cadeiras.


O abandono dos aliados cobra preço alto

O que está acontecendo agora é, em boa medida, reflexo direto dos últimos quatro anos. Muita gente que ajudou em campanha, acreditou em projeto político e esperava algum espaço ficou sem retorno. E política funciona também na base da reciprocidade.


Quando o mandato chega e o grupo é deixado de lado, o resultado vem depois. Na montagem da próxima nominata, essas mesmas pessoas se afastam, recusam convite, mudam de projeto ou simplesmente deixam de disputar.


O sistema não perdoa amadorismo.


Muito deputado pode perder a eleição em 2026 não por falta de voto próprio, mas porque a nominata não vai fechar como deveria. Essa é a realidade. O sistema proporcional não premia apenas quem aparece mais. Ele favorece quem monta melhor o time.


Sem candidato de médio porte, sem suplente valorizado, sem base de votação pulverizada e sem uma nominata minimamente amarrada, até nome forte corre risco.


A lição para quem ainda quer disputar com força

A principal lição é simples: nominata não se monta em cima da hora. Nominata se constrói ao longo dos quatro anos. Exige espaço político, cuidado com aliados, valorização da base e inteligência para manter por perto quem pode somar lá na frente.


Quem entendeu isso sai na frente. Quem ignorou, agora está correndo atrás do prejuízo.


O recado que 2026 já está dando

As eleições de 2026 já estão ensinando uma coisa importante para os partidos: não adianta ter estrutura, mandato e fundo partidário se faltar grupo. O alicerce continua sendo a parte de baixo. É ela que sustenta a casa. E quando essa base é desprezada, a conta chega na montagem da nominata — e pode chegar também nas urnas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário